Uma mulher procurou a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis de Sorriso (MT) para denunciar sua ex-sogra por violência psicológica e possível intermediação no descumprimento de uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente em desfavor de seu ex-companheiro. A vítima relatou que o ex-parceiro estaria utilizando a própria mãe para manter contato indireto, exercer pressão emocional e burlar as restrições impostas pela Justiça.
Intermediadora e Pressão Psicológica
De acordo com o relato do Boletim de Ocorrência registrado em 22 de setembro de 2026, a ex-sogra atuava inicialmente apenas para intermediar o contato entre o pai e a filha menor do casal. No entanto, passou a repassar recados pessoais do filho — inclusive sobre bens a partilhar e obrigações do ex-casal — e a emitir julgamentos sobre a situação jurídica da vítima.
A declarante informou que a suspeita afirmou repetidas vezes que a medida protetiva solicitada era “desnecessária”. Em um dos episódios relatados, a ex-sogra compareceu à clínica onde a neta passaria por uma consulta médica e tentou forçar o atendimento presencial do pai da criança, ciente de que o homem não poderia se aproximar devido à ordem judicial.
Desrespeito às Cuidados de Saúde da Criança
Outro ponto destacado na denúncia envolve o descumprimento de orientações médicas relativas à saúde da neta. A mãe havia solicitado presencialmente que a avó paterna não levasse a criança para consumir comida japonesa, devido a uma sensibilidade severa ao leite e histórico de alergia à proteína do leite (APLV).
Apesar de ter concordado com a restrição, a avó levou a menina ao restaurante e posteriormente afirmou que ela estava bem. A criança, no entanto, relatou à mãe que precisou ir ao banheiro três vezes após a refeição.
Temor por Influência Institucional
A vítima expressou receio em relação à ex-sogra devido ao cargo público exercido por ela, que atua como Chefe da Distribuição do Fórum da Comarca de Sorriso há aproximadamente 28 anos. Segundo o depoimento, a proximidade da suspeita com o meio jurídico traz o receio de interferências ou pressões indevidas.
O caso foi formalizado junto à Polícia Civil, que adotará as providências cabíveis para apurar as condutas de violência psicológica e a eventual quebra da medida protetiva por interposta pessoa.












