A estudante de Direito Thaina Alvares, de 23 anos, denunciou ter sido agredida e ameaçada por policiais militares durante uma abordagem dentro da própria residência, na madrugada entre os dias 9 e 10, em Cuiabá. Segundo o relato, a ocorrência começou após ela ouvir disparos de arma de fogo e verificar se o filho e a avó, que é acamada, estavam bem.De acordo com a denúncia, ao olhar pela janela, a mulher percebeu a presença de policiais dentro do quintal. Pouco depois, segundo ela, os agentes abriram a janela da sala e exigiram que a porta fosse aberta.
A estudante afirmou que avisou que atenderia à solicitação, pois estava no banheiro, mas teria sido ameaçada de ter a porta arrombada caso não a abrisse imediatamente. Ainda conforme o relato, após abrir a porta, um dos policiais teria apontado uma arma em sua direção, danificado seu celular e exigido informações sobre pessoas envolvidas com a venda de drogas. A mulher afirma que não sabia quem eram essas pessoas e que não possui envolvimento com entorpecentes.
Segundo a estudante, já dentro da residência, o policial teria feito novas ameaças e, após ela afirmar que desconhecia as informações solicitadas, teria sido agredida com tapas no rosto. Ela relatou ter sofrido um corte dentro da boca em decorrência das agressões.
A denunciante também afirma que foi ameaçada de ter drogas colocadas em sua residência e de ser presa por tráfico caso não fornecesse as informações exigidas. A mulher contou ainda que trabalha durante o dia, saindo de casa por volta das 5h e retornando aproximadamente às 23h, quando passa a cuidar do filho e da avó acamada. Segundo ela, o episódio provocou impactos emocionais e também teria sido presenciado pelo filho.
“Foi quando eu peguei o meu celular, infelizmente eu não consegui as gravações, devido a ser um antigo iPhone, ele estava com memória cheia e ele não armazenou os vídeos. Foi quando eu comecei a gravar, falando que era meia noite e pouco, era meia noite e um, tinha acabado de virar o dia, e que eu teria que abrir a porta, estava fazendo uma gentileza para eles de abrir a porta. Fui abrir a porta, não tinha ninguém, e eu fui andando, que eles poderiam estar ali na frente, já que eu não deveria ir a nada fora ninguém. Fui até eles, foi quando surgiu um policial com uma arma na minha cabeça, pedindo para eu colocar a mão na cabeça. E eu falei que eu não iria colocar, por causa que eu estava fazendo uma gentileza de abrir a porta da minha casa, que eu estava dentro da minha casa, em nenhum momento eu estava na rua. E foi quando ele bateu a mão, derrubou meu celular e quebrou, e começou a me bater até chegar dentro da minha casa”, disse.
Corregedoria apura denúncia
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso informou que recebeu a denúncia na terça-feira (11) e instaurou um procedimento para identificar os policiais envolvidos e apurar as circunstâncias da ocorrência.
Em nota, a corporação afirmou que a investigação será conduzida com rigor e ressaltou que não compactua com abuso de autoridade, violência ou qualquer outra prática criminosa cometida por integrantes da instituição.
A apuração deverá esclarecer a dinâmica da abordagem, verificar as acusações apresentadas pela estudante e identificar eventuais responsabilidades dos agentes envolvidos.










